Na segunda-feira cheguei cansadíssima em casa. Cabeça pesando e pensando demais e aquela vontade de fazer uma reviravolta meio brusca na vida. Não queria saber nem de TV e nem de PC. Até que perdi o sono e liguei a TV zapeando os canais em busca de um bom programa e me deparei com o documentário "Imagine", do John Lennon. Sempre fui fã da obra do cara principalmente em sua conturbada fase solo. E depois de me encantar com cada uma de suas frases ditas, fiquei sem palavras com as atitudes que eu pensei pra vida dali pra frente.
É engraçado a gente se deparar com pequenos momentos inspiradores do dia e fazer deles algumas pílulas de pensamento e novidade. Quando eu ouvia a prepotência de John Lennon em dizer o que ele queria e a determinação que ele teve em ser tão teimoso e topetudo eu fiquei pensando em como eu precisava de um pouco disso pra dar uma graça na vida. Enxerguei um pouco do Léo no John Lennon e pensei que o que eu precisava estava bem na minha frente: dar menos relevância para a opinião alheia.
Lembro bem da minha fase, em que entrando nos 20, não dava lá muito importância aos sentimentos dos outros, mas se importava muito com as opiniões alheias. Hoje, posso até citar que eu penso o contrário, com um respeito maior pelos sentimentos e consideração sem necessariamente virar um cabo de guerra com as pessoas, cedendo aos seus vazios interiores de me darem opiniões descabidas sobre uma vida que só eu vivo.
Então, quero ser coerente comigo mesma ao tomar decisões que implicam somente a minha felicidade. E sim, buscá-la cada dia mais, sabendo que com certeza, ela pode desabar a qualquer instante. Ou não.
Hoje eu vi uma série de vídeos do TedTalks e eles sempre são vídeos engrandecedores com alguma lição pra vida. Hoje, vendo essa do Ken Robinson, juro que repensei sobre toda a minha vida escolar e sobre todas as escolhas que tive que fazer na vida. Sempre tive um lado artístico muitíssimo aguçado, uma percepção acima do normal, uma leitura muito avançada e uma escrita muito acima de todos os alunos da minha turma na época da alfabetização.
Na segunda série, os professores queriam me pular para a quarta por causa da leitura e da escrita que ultrapassava a dos meus colegas. A professora dizia que tinha uma mentalidade de quinta série, e na época, cheguei a fazer prova para entrar na quinta série e consegui. Mas por motivos alheios, decidi não ingressar na quinta série, apesar dos meus pais me colocarem meio que "na parede" por uma semana.
Os entendo perfeitamente. Eles estavam preocupados com o meu bem estar e formação. Mas foram se passando os anos e finalmente eu entrei na quinta série e começaram as malditas aulas de matemática. SEMPRE odiei matemática. SEMPRE odiei números. Números multiplicações, economia, estatísticas e mais o caralho que me remetesse a essas combinações absurdas.
Sempre preferi viajar nas aulas de artes, nas aulas de literatura, nas escolas literárias, na lógica da gramática, nas letrinhas abraçadinhas que a gente aprende no alfabeto. E quando fatalmente a gente começa a pensar em faculdade, os professores da gente vão se tornando os verdadeiros inspiradores. Sempre me inspirei nas professoras de português. Em especial, ainda, tiveram a Cléa, a Camilla e a Tereza que me fizeram enxergar o português, a literatura e a gramática como algo visceral, intenso e verdadeiramente artístico e mágico.
Logo veio na mente: LETRAS. "ser professora? ficar sem comer?" "lidar com moleques indisciplinados?" "lidar com pais reclamões?" "diretores tiranos?" "ganhar pouco?" - e claro, essas coisas ficam na nossa cabeça em momentos de indecisão. Quando não há a certeza da paixão, qualquer coisa vai te desmoronando.
Depois pensei, que tal JORNALISMO? - "ninguém vai te ouvir" "nossa, é bem sua praia... " "comunicativa, falante, se expressa bem, escreve bem, vai lá." "ih, jornalismo não dá dinheiro", "ah, você quer aparecer na tv." (etc...)
Beleza! Jornalismo. Já tinha até me decidido, quando comecei a fazer os vestibulares da UNB. Quando aquelas questões de álgebra saltavam na minha frente, dava vontade de tacar fogo na prova. EU QUERO JORNALISMO, PORRA. Cadê as outras questões? Creio que a limitação de potencial já começava no primeiro dia, na prova de humanas mesmo, com o medo da prova de exatas que viria no outro dia.
Sempre fui contra as absurdas provas de exatas da UNB e sempre acreditei que aquilo não media potencial criativo que ninguém e (muito menos intelectual). E quando eu ia ficando para trás e os amigos iam passando me sentia meio falível, impotente, burra, fraca mesmo. E ainda tinham aquelas cobranças para todos os lados. Cobranças de pais, professores, parentes e o caralho. (hoje em dia eu vejo que aquelas cobranças não eram NADA perto das atuais, mas enfim.)
E com esse sentimento de derrota depois de fazer 5 vestibulares pra UNB, decidi tentar mudar de ares e procurar provas que avaliavam competências específicas, como a UFG, que na segunda fase, cobrava mais humanas. PASSEI! E nessas a gente se acha até inteligente. Entrei pra Relações Públicas, conhecendo bem pouco sobre o que era, mas muito entusiasmada.
No decorrer das classes, aquela mesma cara do ensino médio. "PEGA A XEROX, LEIA E RESENHE, BEIJOS :*" E os alunos reclamando (inclusive eu) e professores praguejando que se somos incompetentes na faculdade, seremos incompetentes no mercado de trabalho. E toma cobrança.
"Não falta senão é bomba", "Semana que vem tem prova", "Copiou o quadro? Vou apagar." E mais uma vez, aquele discurso de educação tradicional, que pouco incitou o debate e a reflexão. Na verdade, uma das coisas que mais aprendi em RP é IMAGEM. "Cuide da sua imagem" "Olha a competência" "Olha a roupa que você veste" "Olha o que você anda falando", "Isso não é RP", "Isso é de jornal", "Isso é publicidade", "Para com isso. Isso tá errado."
São problemas de RP? Não. São resquícios de uma educação tradicional que não forma pensadores, mas robôs industriais, infalíveis, apáticos e que sempre precisam estar felizes, pois "relacionamento interpessoal é muito importante". Todos fingidinhos, arrumadinhos, engomadinhos e abaixando as cabeças para seus gestores. Ah, e sorrindo sempre, claro, como já mencionei.
Hoje, eu critico artistas que não querem saber de grana, critico as ideias de amigos, critico ideias dos outros e me tornei uma pessoa apática. Que todo santo dia abaixa a cabeça pro gestor. Que todo dia, tenta pensar em algo de bom pra fazer, mas devido aos imensos bloqueios, cortes, críticas e a incrível falta de coragem para errar, me tornei uma pessoa apática, sem personalidade.
Antes, eu, que adorava escrever, não tenho mais tanto ânimo, depois de tanto ouvir que meus textos eram uma bosta. E descobrir que mesmo que não tivessem sendo escritos para eles, eram considerados meras "bostas". Logo, me tornei, apática, sem personalidade, burra, de textos ruins, incompetente, irresponsável, nada criativa e sem graça.
E ainda tenho que escutar que isso é coisa da minha cabeça, que tenho que ser forte, trabalhar sob pressão e ainda assim, fazer tudo bonitinho e robotizado. Então, FODA-SE, quem acha que os problemas que a gente tem são coisas da nossa cabeça. Poderia ter simplesmente alguém que ouvisse e quisesse, de fato, ajudar a descobrir o potencial de alguém, em vez de julgá-lo.
Estou cansada. Em época de TCC descobri que meus textos, além de serem belas bostas, não servem pra porra nenhuma. Afinal, o TCC não tem quase NADA de conclusões suas, afinal, depois de 4 anos você é uma bela merda de um acadêmico inconsistente, inexperiente e magoado com as críticas de todos os professores, chefes de empresas, colegas e muitos outros.
Quando me diziam que a mente de uma criança é a mais criativa e perfeita eu não conseguia entender. É porque de fato, não se passou por essa selva chamada carinhosamente de vida.
ele chega de mansinho. rouba o controle da TV, senta no meu computador, me dá um beijo bem gostoso, tira o tênis olhando pra mim, joga as meias na minha cara, joga a camiseta e a calça para cada lado, muda freneticamente os canais em busca de um bom futebol, pede água porque não gosta de sair do quarto sem camisa, bagunça todo o lençol da cama.
me dá um carinho que nunca tive, me oferece seu peito com afeto, beija minha testa com respeito e assistimos TV em paz. eu durmo, ele vira pro lado e dorme também. e eu acho que no mundo ainda não inventaram sensações melhores do que a de estar.
Tenho muita pena de gente que não fala nada, que não se expressa. Não tô falando de gente tímida que conversa bastante com os amigos, ou de gente reservada. Falo de gente amargamente calada, que não conversa, não se expressa e não fala com ninguém. Nossa voz e pensamento é o jeito mais fácil e rápido de obter o que queremos e de mostrar nosso espaço no planeta. Se você não fala, logo se sabe que você é invisível, esquecido.
Gente que se cala, guarda para si, algo precioso: o direito da opinião e do pensamento. E guardar opiniões, guardar mágoas, guardar sentimentos é como preencher um baú com as podridões do dia a dia sem ter como se esvaziar delas. Ouvir e falar é como abrir os canais da alma para se preencher do espaço do outro e dar espaço para que o outro entre em sua vida.
Tenho pena de gente que abre a boca só pra reclamar. Se elas entendessem que isso só afasta as pessoas delas, talvez entenderiam que o sofrimento é necessário e é inerente a todos os seres humanos. Se é de reclamar, que seja também de bater no peito e entender que ninguém precisa suportar uma pessoa assim. Que more sozinha, que viva sozinha, mas que não fique cobrando afeto, atenção e carinho de ninguém.
Entender que o dia que for necessário que você cobre carinho de alguém, é aquele dia que você deve dar carinho para recebê-lo de volta. Uma boa ação é recompensada com uma boa ação e se não for recompensada pela pessoa que obteve a boa ação, ela logo logo será recompensada por outra pessoa. Então, entender que o caminho da FRUSTRAÇÃO é desejar que as pessoas retribuam tudo o que você faz com elas é uma constante e que nunca vai mudar.
Um dia ou outro a gente vai provar alguma droga, seja o álcool da noitada com os amigos, seja a maconha frente à fogueira do acampamento ou a neosa pra acabar com as dores de cabeça. Para todas essas existem reabilitações ou abstenções. Existem crises de abstinência químicas ou psicológicas e umas ou outras recaídas. Mas todo mundo esquece da droga mais letal que existe: o amor.
Desde quando nascemos, essa droga nos ronda e nos deixa protegidos, amados. Logo nos tiram toda essa proteção e adolescentemente, envolvemos com paixão outro ser desgarrado do excesso de proteção e aí vamos tecendo todo um processo que acaba viciando a gente cada vez mais.
Então achamos o vício maior do primeiro amor. Ele vem devagar, traz sensações maravilhosas (e viciantes) fazendo a gente ficar bobo, inerte e sem enxergar as coisas ao redor. Aí a gente transa. Se entrega a drogas cada vez mais profundas, que a penetração permite um verdadeiro derramar de sentimentos.
Você descobre o ruim da droga quando o vê o namoradinho com outra, ou descobre que o primeiro amor se casou antes de você. Rola abstinência sim. Vontade de se amarrar na cama pra não ligar, vontade de bloquear pensamentos, choro, falta de apetite e muitas outras coisas sem sentido.
Finalmente a frase: "Dessa droga eu não provo mais." E vicia em outra. Vai beber pra esquecer e dar coragem pra chegar no gatinho e acaba fazendo merda atrás de merda. Aí vem outra coisa maluca, outro sentimento doidão e você quer se expandir novamente, se esquecendo da sua anterior abstinência do amor.
O amor é a droga em que a abstinência é mais dolorosa. É a droga que te transforma em uma pessoa irreconhecível quando te tiram o prazer de vivenciá-la. Ah, o amor... O amor é a droga mais destrutiva que conheço.
Comedimento, polidez e excesso de moralismo é coisa de gente chata. O lance é ser necessariamente discreto para não se deixar transparecer e descobrir o melhor (e o pior) dos outros, sem claro, se comprometer. A discrição analítica, sintética e observadora vale bem mais do que qualquer comedimento ou moralismo barato;
Falo isso pois quando você permite ser realmente o que é, as pessoas vão te procurar sendo elas mesmas. Cabe a você acreditar, ou não nisso. E acreditando, descobrir a real essência de cada um, proporciona um conhecimento ímpar. Ser uma pessoa de aparências atrai apenas relações aparentes, rasas (menos frustrantes, claro.)
Permita que te conheçam mas que não identifiquem suas fraquezas. :D
P.S.: Quando falo de comedimento é no sentido bem abstraído da coisa, afinal, ninguém detesta neguinho dando barraco em bar, subindo na mesa ou gritando no ônibus. Isso já é falta de classe, que uns tem, outros não. Agora, permita-se, a vida é uma só. :D
Permito que acheguem-se a mim como são. Cabe somente a mim escolher quem vou seguir ou que me sigam.
Muitos dias, passando pelas ruas nos deparamos com alguns casais "diferentes" e eis que algumas frases muito comuns beiram o imaginário de mulheres e homens:
"Nossa, ela é bonita demais pra ele. Ele é rico, só pode."
"Nossa, ele é lindo demais pra ela. É boa de cama, só pode."
Me atrevo a explicar pelo que esses casais "bela e fera" se apaixonam um pelo outro afinal, muitos de nós esquecemos de realizar abstrações no seguinte sentido: "e o algo a mais?" O "algo a mais" é o borogodó, o sex appeal e como mais vocês quiserem chamar. E nesse "algo a mais" tem um sorriso lindo ao acordar, tem um cheiro delicioso que sai da pessoa, tem um sorrisinho de lado, tem um carinho e um jeito agradável de lidar, tem uma marquinha no rosto ou uma covinha linda e para essas coisas não há lei.
Não existe abstração que entre no submundo sentimental de cada um de nós para interpretar as razões (ou irracionalidades) que cada um tem quando se apaixona ou quando se entrega a alguém. Não acredito em frases de "o amor é cego" e "a paixão é burra". Eu tenho a minha teoria que o amor deixa tudo muito mais visível e que mesmo assim, você se agrada de conhecer mais sobre aquilo e a paixão é inteligente sim, afinal, você tem do seu lado, alguém com "algo a mais".
Gosto dos tons pasteis da vida;
Gosto do cinza das tempestades
Do azul bebê do céu
Do branco das casas e limpeza
Do amarelo dos sorrisos e
dos Blues de domingo;
- Eu preciso ir embora?
- Sim, você precisa ir;
- Mas aqui eu tenho tudo que preciso.
- Não, vá viver a sua vida.
Deitados na cama de casal, um diálogo que precedia o fim se anunciava. Logo depois disso, a cama vazia a assustava e novamente ela pensava que ele não deveria ir. A ideia de uma cama maior a fazia querer preencher aquele espaço que poderia estar com a presença dele.
- Eu preciso ir embora?
- Não, fique aqui comigo.
- É, aqui eu tenho tudo que preciso.
- Então fique.
Percebeu sua individualidade ameaçada depois de viver duas semanas em cima da cama com ele. O conforto de deitar-se esparramada na cama tinha sido dispensado para dividir-se com alguém que muito provavelmente iria permanecer lá por um bom tempo.
- Eu preciso ir embora?
- Sim, você me sufoca.
- Mas aqui eu tenho tudo que preciso.
- Então me deixa sair um pouco e respirar?
Saiu da cama, bebeu um pouco de água, tomou um banho e comeu alguma coisa. Sentir um novo gosto nas coisas depois de passar muito tempo sobre a cama, a fez refletir que ela não precisava de ninguém. Borrifou algumas gotas de perfume e sentou no sofá da sala. Passou algumas horas sentada no sofá e acostumada a ter alguém, voltou para a cama.
- Porque ele foi embora? - Ela ligou para ele depois que percebeu que ele se foi.
- Cadê você? Porque foi embora?
- Eu precisei ir embora.
- Porque? Eu te sufoquei, eu te destratei? Volta, eu até coloquei perfume para ti.
- Não, nada disso, simplesmente eu cansei.
Quando percebeu estar sem ele, ficou deitada na cama de casal, sozinha pensando em que bom seria ter alguém para preencher o espaço vazio da cama. Parou de dormir esparramada e passou a dormir encolhida, na espera que alguém pudesse estar do seu lado algum dia. Depois de uma desesperada espera que foi atemporal, ela liga para ele;
- Onde está? Volta para mim?
- Não posso.
- O que aconteceu?
- Estou preenchendo o espaço de outra cama de casal.
Desligou o telefone e não pensou duas vezes: comprou uma cama de solteiro.
Depois do texto que escrevi ontem, achei salutar abrir essa questão para um debate aqui no meu Blog mesmo. Primeiro porquê, eu acho, pessoalmente que isso não é lugar para pôr a culpa em um ou em outro. Segundo, por que eu gosto de ouvir e entender visões opostas sobre o caso. Decidi procurar um amigo, o Pedro (um cara super inteligente e bem legal de bater um papo) para falar sobre o assunto. Visivelmente a favor de descriminalizar as drogas mais usadas e a favor, também, do maior letramento da população e da descentralização elitista do poder. Acompanhem as belas palavras de Pedro, um ex-estudante de Filosofia da Universidade Federal de Goiás:
É muito fácil colocar a culpa naqueles que aparecem para sociedade defendendo uma coisa que ainda é ilegal por motivos proibicionistas sem base ou estudo prévio sobre objeto ilegal. Eles gritam, eu grito e mesmo assim a mídia e o mundo escutam e entendem o que querem, vêem um inferno acontecer no Rio de Janeira, uma verdadeira guerra civil, vêem o governo falando para a população agüentar firme e apoiar o governo, mesmo que enquanto toda essa ação acontece quem morre são os inocentes que nada têm a ver com toda essa situação que o próprio governo criou, ninguém viu um filho ou parente qualquer que seja de um político morrer por causa dessa operação.
Após cinco dias da operação, e com a apreensão de toneladas de maconha, a mídia deixou bem clara a sua posição sobre o assunto, jogando a culpa da necessidade dessa postura militarista nos usuários de maconha que tanto pedem para que se legalize o plantio e consumo privado para enfim conseguirem se soltar das amarras do tráfico. Me pergunto onde está o livre-arbítrio de escolher se quero ou não me prejudicar, se quero ou não fazer mal para mim, eu cidadão que pago meus impostos e vejo em um baseado a possibilidade de relaxar depois do meu dia, me questiono qual a diferença entre um usuário de maconha que ao final de seu dia senta-se em seu sofá liga a televisão e assisti ao noticiário do bebedor de cerveja que faz o mesmo.
Depois de anos de descaso governamental em relação às favelas do Rio, o governo decide tomar uma medida drástica, como uma mãe que chega na casa de um filho universitário e vê aquela bagunça que vai demorar um dia inteiro para arrumar e ainda irá encontra uma ou duas pontas de baseados que seu mesmo filho andou fumando. Ele, o governo, diferente da mãe, usa da força bruta para consertar o que ele mesmo fez, o que talvez não tivesse acontecido se antes mesmo de toda essa situação dentro das favelas do Rio tivesse, água encanada, saneamento básico, escolas decentes, se antes de tudo que aconteceu até hoje em dia, se não tivessem transformado essas favelas em um local propicio para pessoas que já esquecidas pelo governo e marginalizadas pela sociedade tiverem livre acesso a produtos marginalizados como eles.
E o descaso foi tão grande que se formou um poder paralelo que proporcionava cestas básicas, segurança, TV a cabo, entre vários outros itens que por muito tempo o governo negou. Depois da consolidação de praticamente uma política, um sistema em funcionamento, o governo se sentindo ameaçado, afinal o poder é o estado e não pode existir outro (a não ser o poder elitista que rege o país, né?) que foram tomadas medidas. De uns anos para cá se viu abertamente que por várias vezes foi tentada a retomada dessas favelas, todas fracassadas. Agora com mais essa tentativa e com grande índice de êxito, me pergunto se vai realmente mudar. Se vão saber tratar o problema do pós-operatório. Pois para ser bem sincero me pergunto quem já viu qualquer política proibicionista sobre drogas dar certo em qualquer lugar do mundo.
Muitos que hoje falam que quem sustenta o tráfico é o usuário parecem se esquecer do passado. Por tudo que o país já passou nas mãos de políticos corruptos. Dinheiro da educação, saúde, segurança sendo desviado por anos e anos. Faltando escolas, hospitais, uma policia melhor treinada. Por tudo que já vimos e sofremos na mão de pessoas que elegemos com uma idéia de simplesmente manter e organizar a sociedade e suas nuances. Por tudo que falta e ainda maltrata muitos de nós brasileiros, um mesmo povo, uma nação. Realmente parece que quem fala mal desses usuários esqueceu completamente que a poucos anos atrás tivemos o mensalão que abalou o Brasil. E a lógica é simples e direta, se tem a mais no bolsos deles, em algum lugar está faltando.
No final de tudo só queria saber quando vai existir a coragem para vestir a camisa de brasileiro e não a do dinheiro. Quando todos vão parar de obedecer a elite e se preocupar com o povo como uma nação que somos. Quando vamos olhar para nós mesmo e assumir nossos erros e não culpar os outros pelos nossos atos, ou pelos nosso s equivocados votos.
Diariamente vivemos um massacre silencioso que marginaliza, pune e destroi expectativas de seres humanos normais que merecem ter o seu lugar na sombra. Essa engrenagem invisível, a qual chamamos sistema é o reduto de ações que passamos e fazemos todos os dias em busca de uma felicidade (ou de um sucesso), que pode ser inatingível.
Então, quando falamos de traficantes, de favelas e de mendigos nas ruas, pouco pensamos em nós mesmos, no intuito de diminuir o sofrimento dessas vítimas da corrupção, do descaso e da falta de cidadania.
Quando alguém fala de traficante, logo vem na cabeça aquela pessoa monstruosamente estereotipada para que você tema e não se aproxime jamais daquele ser desprezível que supostamente é o carro-chefe de todos os roubos, assassinatos e carnificinas. Por que não olhamos para um contexto que grita e escancara todos os dias a cruel realidade do descaso?
Me deparei hoje com algumas frases condenando o uso de drogas pois isso seria uma espécie de "financiamento" de tudo de negativo que há na sociedade. As drogas são um problema terrível, claro. Mas porquê somente elas financiariam esses problemas sociais? Será que nós mesmos não contribuimos todos os dias para um massacre de seres humanos nos diversos sentidos?
Passamos em ruas movimentadas e desviamos de mendigos e pessoas "suspeitas". Ouvimos músicas que denigrem as pessoas, compramos DVDs piratas, roubamos o troco, não sorrimos a quem nos sorri, jogamos lixos nas ruas, somos eternos fingidos e adoramos colocar a culpa dos problemas do mundo no outro.
Se somos contra o uso das drogas em uma sociedade que banaliza o prazer em pílulas, somos diretamente a favor da legalização delas? Ter a sua planta de canabis em casa faz de você um cara melhor por não "financiar" o tráfico nacional e internacional? É importante pararmos para pensar que pagamos todos os dias para o lixo que o mundo se torna e pagamos caro não recolhendo as bandejas que comemos nos shoppings e aceitando panfletos para jogá-los nas vias públicas.
Como "investidores de ações" sociais, o que multiplicamos ao outro? Antipatias e inimizades? Fingimentos, hipocrisias e falsidades? Multiplicamos PILANTROPIA distribuindo esmolas a miseráveis acomodados e continuamos criticando mulheres que abortam se não tem condições de criar seus filhos e muito menos estrutura social para ajudá-los?
Continuamos nossas vidas depois que essa guerra civil que está o Rio de Janeiro passar. O efeito que isso nos provoca é muito pequeno, quase nada. Estamos mais preocupados no IPAD que compraremos no final do ano com o nosso décimo terceiro salário.
Antes de criticar e apontar culpados olhe para dentro de si mesmo e pense: " no que eu estou investindo todos os dias?"
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É delicado falar desses assuntos envolvendo drogas, aborto, sexualidade e afins e não pensar sistemicamente e entender que os generalismos são ignorantes e que apontar alguns e efetuar julgamentos baseados em teorias rasas é o caminho para se tornar uma pessoa medíocre e bastante egoísta. Ao invés disso, vamos orar, torcer e buscar, todos os dias o verdadeiro sentido da existência através de amizades verdadeiras, da família e da capacidade de tocar o próximo.
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Sim, sou a favor da legalização da maconha, mas não em termos de solucionar problemas sociais, mesmo porquê, ninguém sabe o real efeito disso. Sou a favor da liberdade de escolha, do maior letramento, do conhecimento e do que faz bem.
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A favor do aborto também, pois uma vida não desejada, pode causar danos irreparáveis em outras vidas que "não teriam culpa de nada". A favor da liberdade de escolha, novamente, com relação ao seu próprio corpo e sentimentos.
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Detesto pilantropia e dar esmolas para mim é um péssimo exemplo.
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E sobre as bandejas do shopping, não custa nada jogar os restos de comida no lixo, afinal, tem alguém esperando para sentar nas mesas logo depois de você, então, custa ser gentil?
- Paz no Rio de Janeiro e no mundo; mas isso depende diretamente dos nossos esforços pessoais para consolidar esse processo de melhora contínua e paciente.
Todos os dias eu me pergunto "que diabos é a tal geração Y?" todo mundo conceitua e cada vez mais eu me perco quando eu de fato, estou nessa tal "geração Y". Quando de novo, eu volto para o conceito essencial disso, me vejo presa dentro dessa estupidez de geração.
Era dos descontentes, de namoros, casamentos e empregos rápidos. Era da exaltação do prazer carnal, mas de um prazer muito culpado na hora de abandonar o que te doi. Época onde largar o terno e viajar é um perigo pois ser workholic é mais divertido do que ser free.
Tempo de redes sociais, onde no Twitter todo mundo precisa ser competente "pois as empresas estão te vigiando". Isso! Época de vigilância constante, das câmeras no elevador ao seu chefe no Facebook. Época que faculdade não é mais um privilégio de quem realmente quer saber, mas uma necessidade de quem quer um emprego melhor.
Era que desconheceu Beatles e o LSD mas que conheceu o Restart e os vícios estúpidos em uma bestialização cultural imensa. Época da banalização do sexo na webcam e da falta de ideias. Tempo de jogar playstation e cometer atrocidades anti-cidadãs. Hora de deixar o filho em casa, trabalhar como um condenado e não entender os acessos de falta de atenção e descaso cometidos.
Época que TODO MUNDO precisa ser bem sucedido para ter uma TV de plasma na sala e fazer sexo todos os dias com uma pele impecável, um corpo saradão e uma eterna vitalidade.
Era que as mulheres de 50 estão mais novas do que as meninas de 18 e as meninas de 15 estão grávidas ou com as piores crises existenciais do mundo. Época que a autoestima está diretamente relacionada com quantas vezes você vai ao banheiro, aplica botox ou toma pílulas de colágeno.
Aquela época que o importante sempre "é se sentir bem" sem se importar com o outro. Aquela época dos fast foods viciantes, deliciosos e destrutivos que fazem você ficar gordo e menos atraente. O prazer culpado não é mais latente. É a época feliz onde todo mundo quer um carro mas não quer ficar preso no engarrafamento.
É a era legal onde todo mundo quer ter dinheiro e não quer trabalhar. É a ascensão da classe média consumista, era de estourar os ouvidos em música eletrônica ou de estourar a vida consumindo drogas em raves que duram 10 dias.
Depois de ler um texto do Ivan Martins, "O homem com pegada", decidi escrever sobre.
A exaltação do sexo na atualidade não permite que as graças reais de estar com alguém, sejam de fato, importantes. Fala-se de homem com pegada, de funk proibidão e de bundas na televisão esquecendo-se do contexto que envolve duas pessoas na busca do prazer e do conhecimento de seu próprio corpo na estimulação de seus sentidos, sejam eles sexuais ou não. Pouco preocupados estamos, na realidade, em conhecermos a nós mesmos e respeitarmos a nossa condição diante do outro.
Numa TV que mostra Panicats, dançarinas do Faustão e toda essa vitrine de corpos esbeltos, pouco se vê pensamento ou ideia. Dentro das esferas familiares, acadêmicas e profissionais, pouco se nota o conceito existente em cada um e a essência produtiva que se pode sugar das pessoas. Nessa atmosfera, respeitar a condição de cada um é quase um martírio em se tratando da auto-crítica e das outras com as quais nos acostumamos.
Ultrapassar a barreira e respeitar o seu parceiro ou parceira é entender como as coisas realmente funcionam. Aprender a dar prazer ao outro sem esquecer de si mesmo e querer estar do lado de quem te faz bem mesmo quando a pessoa não te faz bem é delimitar-se. Indivíduos sentem prazer de mil maneiras diferentes e isso deve ser respeitado.
Então, com essa deixa, falo do homem com pegada de cada mulher, ou dos "homens com pegada" da vida de cada uma delas. É interessante perceber que do homem que puxa o cabelo, ao homem que fala de iluminismo, cada uma busca no outro, um pouco que não tem ou que sobra em si mesma de maneira que isso acrescente em uma relação (ou apimente);
Um homem com pegada, para mim, pra funcionar tem que ser inteligente. Tem que saber falar de Kotler, Nietzsche, da teoria do caos e da relatividade. Saber filosofar sobre a vida, ser um eterno buscador, descontente e antenado. Saber curtir qualquer tipo de programa, de surpresa, admirar ideias novas, conhecer coisas novas e se jogar sem rumo em alguma viagem.
De que adianta saber todas as posições do kama sutra e não ter ideia nenhuma na cabeça? É legal sentar e jogar conversa fora sobre a vida, sobre a ausência dela e sobre a merda que é ela. Despertar os meus sentidos é me fazer ouvir ideias novas, teorias e explanações malucas sobre o sentido das coisas.
É, de fato não adianta ter pegada e não deixar pegadas na minha estrada.
Toda geladeira é parecida. Você a usa mais como um depósito de coisas velhas do que qualquer outra coisa. Sobrou comida? - geladeira. Sobrou bebida? - geladeira. Sobrou? - geladeira. E nossas geladeiras podiam ser comparadas às nossas vidas. O congelador não fecha mais a porta de tão cheio e os excessos de gelo ainda fazem com que ainda impeça que sejam colocadas novas coisas.
A hora do degelo é aquela hora do dia, ou da vida, que você decide se descongelar. Para o amor, para a vida, para caber novas pessoas, para fechar sua porta quando necessário e se limpar, claro. Esvaziar-se é necessário e vital, o problema é que sempre adiamos o degelo.
O emprego que tá ruim, vai melhorar (?), o namorado (a) que tá ruim vai mudar, a convivência péssima em casa vai se resolver e tudo o mais de velho e ruim que acumulou na sua geladeira vai ficando. Até o dia que o mau cheiro te incomoda mais do que a falta de espaço e finalmente, você faz o degelo.
Será que o mau cheiro precisa ser necessariamente o sinal para a hora do degelo ou não? Que tal fazermos isso logo?
aprendi a conviver com o imprevisível quando a vida ainda busca respostas. os clichês e desejos não são mais latentes. é como se a vida estancasse e as dúvidas deixassem de existir. é como se as soluções viessem e você estivesse necessariamente no lugar que sempre precisou estar.
todas casam. eu me ca(s)lo. todas tem carro, eu tenho ca(rr)sos. todas sorriem. eu me descontento, me desencanto.
meus sonhos são desconexos, meus pesadelos fazem mais sentido, meu passado é maluco e meu presente incerto. a manhã traz novidades e eu ainda respiro fraco, repetindo crise, crise, crise porque vens?
conhecer o real sentido dessa maluquice me faria feliz ou me traria mais angústias? pensar enlouquece, não pensar acomoda, sofrer aquece, não sofrer enoja. quanta insanidade pode existir enquanto se pensa ao sofrer no querer de não pensar?
Quando não estou mal humorada, eu gosto de observar as pessoas. Como elas andam, o que vestem, por que vestem, como elas conversam com as outras, como pegam na mão dos seus filhos ou parceiros, como andam sozinhas, como mantem suas fisionomias. Logo concluo que em cada um, há um vasto universo de valores, crenças, jeitos e tipos.
Cada um com seus corpos, ocupam lugares intransponíveis. Se estão tristes procuram alguém, se isolam. Se estão felizes extravasam e pulam. São singulares, únicos e indescritíveis. Penso sobre o prazer de ser anônimo. De andar sem ser seguido, de ser feliz sem servir a leões e de ser individual. Simplesmente pelo prazer de ser único no mundo e não apenas mais um.
O desespero é comparável a agonia de querer mais e ter cada vez menos. Na janela, os mistérios da vida lá fora e aqui dentro ficam algumas peças de roupas no chão e mãos desesperadas que correm pelos corpos. Não há tempo, não há hora e os limites já foram despedaçados.
Despidos despudorados eram eles incontrolavelmente insaciáveis. Ávidos por um toque infinito que conduza a universos perplexos e inimagináveis. Adjetivações delimitaram aquele campo léxico de batalha.
A Marina Silva é inteligente, acessível, eloquente, positiva, defensora do meio ambiente, as propostas são boas, ela não ataca nenhum candidato, vai aos debates de cara limpa, é simples. É transparente, gentil e principalmente, tem poucos recursos, como ela disse: "Se eu ganhar, a minha vitória tem a assinatura do povo brasileiro."
O que me assusta na Marina:
Pitadas de um possível 'fundamentalismo' religioso, o escracho em falar qual é a sua religião, políticas conservadoras com relação ao aborto e eutanásia, conservadorismo em geral e a falta de itens importantes a sua aparência na TV, digo cruamente, se arrumar mais e cuidar mais da própria imagem pessoal.
Dilma Rousseff
Do que eu gosto na Dilma:
Dilma é inteligente também, articulada, firme, eloquente, defensora e seguidora da política de Lula, mostra-se menos conservadora com questões relacionadas ao aborto e eutanásia. Possui boas propostas em seu site, mostra-se também acessível a população.
O que me assusta na Dilma:
Começo do que a maioria das pessoas também tem medo. A Dilma parece ser uma pessoa de postura bem firme beirando o autoritarismo, alguns fatos divulgados pela mídia.
José Serra
Do que eu gosto no Serra:
Pouca coisa.
O que me assusta no Serra:
A cara de Mr. Burns, o partido, o seu site não contem as propostas, fraco de articulação (verbal né, gente?).