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quarta-feira, novembro 17, 2010

Brianna a balzaquiana

Ao escrever sobre a plenitude do amor aos trinta, Honoré de Balzac não conhecia Brianna. Uma mulher normal de trinta e dois anos, de cabelos longos, sorriso largo, barriguinha saliente, colo saltante e olhar doce, Brianna era boa cozinheira, animada e muito dedicada no trabalho. Porém toda essa normalidade, escondia um coração muito magoado que carregava um histórico sutil de sete traições.

SETE TRAIÇÕES? Sete descobertas, ela dizia. As outras ela preferia não saber. Entre ter sido trocada por uma mais feia, uma mais bonita, uma mais burra, uma mais inteligente e uma mais gostosa, casou-se e jogou tudo pro alto ao descobrir que foi traída por um mais alto. Aos trinta e dois anos, sem filhos, numa quitinete arrumadinha e apertada, ninguém pensaria na plenitude do amor.

Haveria a chance de Brianna finalmente encontrar-se nas graças de seu Carlos Vandenesse? Ou continuaria sonhando eternamente com seus encontros noturnos com Alain Delon?

Eulália literária

Vivia citando Lispector, era mais detalhista que José de Alencar, mais nacionalista do que Policarpo Quaresma e tão confusa quanto Luísa de Basílio. Eulália tanto lia que confundia noções do mundo real e aplicava suas teorias sobre tudo e nada baseadas no que leu e no pouco tinha vivido.

"Não mate a barata." - Disse ela após um surto G.H. gritando com ele quando ele pegou o chinelo para matar o bicho asqueroso. "Inglês não" - surtou Eulália depois que ele soltou algumas palavrinhas no idioma britânico - depois de pensar sobre Policarpo Quaresma.

Seu triste fim foi perceber que seu único namorado, que cansado de tanta literatura, decidiu fechar a página e viver uma vida diferente. Longe dos livros, das bibliotecas (e das baratas). Logo Eulália decidiu se recolher em clausura para ler mais, afinal ela só tinha perdido uma terceira perna.


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."


Clarice Lispector em Paixão Segundo GH

terça-feira, novembro 16, 2010

Andressa avessa

As roupas dela não eram normais, o jeito dela era demais, o cabelo dela era verde e por ser toda libertária, tinha pelos embaixo do braço. Avessa ao capitalismo, era a favor da reforma agrária, do aborto e do sexo casual.

Cheirava um pó pra pilhar, fumava um pra relaxar, tomava um ácido pra viajar. Na sua mochila, algumas incertezas, no seu coração muitos mistérios. Disse que leu Marx, Shoppenhauer, Dostoievisky e o Pequeno Príncipe. Ela era diferente, tinha um jeitão bem adolescente mas odiava fast food.

Defensora da causa animal, vegana, maluca, inconstante, etérea. Andressa Avessa era intitulada. Amante das árvores, flores e duendes sentava ao luar para seus rituais wicca.

Essa menina é estranha demais, avessa demais, escrota pra caralho.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Aline Alone

Idade: Trinta e dois anos.
Estado civil: SOLTEIRA.

É como dizem que aos vinte se tem orgulho de ser efetivamente solteira, mas toda vez que Alone Aline preenchia questionários virtuais e não-virtuais, sua consciência a alertava que ela estava na idade de precisar de alguém. Ela nunca teve ninguém ao seu lado como deveria ser à la novelas de Maneco ou as comédias românticas com o Adam Sandler ou com a Anne Hathaway. Todos os seus relacionamentos anteriores foram poços sem fundo de frustração ou mesmo, no sentido literal do termo, verdadeiras perdas de tempo.

Certa vez em um bar com duas amigas e ambas casadas, sentou, pediu uma cerveja e conversando com as meninas sobre seus casos do passado, relacionamentos do presente e frustrações futuras, embriagou-se e foi para casa sozinha em seu carro. Chegou em casa, ligou a TV no Jô, ajeitou seu travesseiro e foi dormir com desejos de uma massagem e de talvez acabar a noite transando com alguém. Mas contraditoriamente, desejando-se mais do que qualquer outra pessoa no mundo e pensava sobre até onde valeria quebrar a cara novamente por alguém. Chorou. Dormiu.

Acordou atrasada para o trabalho e na correria do trânsito caótico de São Paulo, sem observar muito bem ao redor, Aline Alone viu estrelas e de seus braços estilhaços do vidro viraram sangue. Ao acordar no hospital, as flores no criado-mudo anunciavam o possível fim de Aline Alone, para realmente virar Aline, com alguém que realmente a amasse e torcesse para que ela se recuperasse logo.

Abriu o cartão.

“Filha, estamos torcendo por sua recuperação.”

domingo, dezembro 28, 2008


Sabe o tal do gostar?
É estranho mesmo assim.
É um querer de pupilas
De bocas de mãos.
É um vento estomacal
Um verdadeiro turbilhão hepático
Um tal de descompasso cardíaco
É uma coisa que desrespeita a anatomia
Causa furor na citologia
E traz alegria;
Alegria, alegria;

terça-feira, julho 29, 2008

eufemista.

Um dia te amei
Um dia te quis
Quem sabe te desejei
Outrora por ti chorei...
Procurei teu nome na minha coleção
Cataloguei num "amor sem razão"
Pra quem entreguei meu coração
Depois sofri uma ilusão.
Do arquivo então retirei
Os momentos que felizes passamos
Esquecendo quase que por completo
Todas as páginas que completamos
Numa velha e empoeirada sessão
Achei aquele beijo dado em vão.
Que não mereceu sequer consideração;


Dani

sábado, novembro 24, 2007

Dom Casmurro

Bentinho gostava daquele olhar de ressaca de Capitu: olhos de cigana oblíqua e dissimulada. E eu me sentia como Bentinho ao contracenar aquela história tão cheia de incógnitas sem operações, fórmulas e nem sistemas para resolvê-las. Entregar-se ao frágil fascínio do amor era como estar propensa ao erro. E entregar-me aos olhos de Capitu submetendo-me àquela dissimulada.

É. Nasceu o filho... E ele não tem a cara do Bentinho, que deveria ser, seu suposto pai.

domingo, novembro 11, 2007

Acróstico

Queria que todas as letras definissem o meu amor.

Amar querendo mais paixão
Beijar-te para que jamais
Careça de mim, de minha atenção
Desejar-te, meu amor, cada vez mais

Enaltecer cada gesto teu
Felicitar cada conquista
Ganhar teu sorriso que é mais meu
Hei de fazê-lo até perder de vista

Idílios tivemos
Juras plenas de amor
Longe do outro, sofremos
Mesmo assim, compartilhando dor

Não sei porque o amor faz isso
Odiando os que conspiraram
Penetrando no âmago com viço
Querendo mais um pouco disso

Reina no meu coração
Satisfaz os meus desejos
Transforma via láctea em vulcão
Unifica paródia e canção

Viver para amar é a lei
Xingar talvez possa
Zumbidos no ouvido, meu rei.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Fases

Tem gente que vive de fases. Aliás... Eu diria que todo mundo, inclusive eu! Mas o problema é quando as pessoas insistem em viver na mesma fase durante muito tempo. Aí, cara... "Fooode tudo". Me refiro àqueles que insistem em querer ser adolescentes quando já são adultos, agem como crianças e fingem não ver o risco que correm com essas atitudes.
Insistir numa fase é bobagem, sabe? É querer barrar a fluência natural dos hormônios da puberdade e querer destruir com o cronológico mental.

Ah, vai.. Não pense que eu esteja querendo transformar pessoas numa chateação constante de querer agir sempre como adulto. Imagina se perdêssemos a espontaneidade das crianças para sair de situações trágicas do nosso cotidiano? Nossa! Que chatice. Agir de modo infantil é normal. O que não pode acontecer é tornar isso uma fase contínua, barrando o crescimento.
Segredo é viver olhando sempre à frente, sem esquecer das graças e mistérios da fase que se vive. ;D


"Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou."
Shakespeare

quarta-feira, julho 18, 2007

Dica

Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.

Iolanda

Iolanda se matou com sete cortes no pulso alvo.
Jorrou sangue vermelho, vermelho quase azul.
O céu tava bem azul, vermelho de sangue de menina
A alma pesada, tentou subir ao céu e se jogar no mar
Afogou-se e suas asas pesaram. Pesaram pra não voar
Era mulher, morreu assim. No mar presa por um coral.

Envolta num coral.

sexta-feira, maio 18, 2007

Procurando roseiras no deserto.

É tentar me perfumar e saber que você não vai sentir meu cheiro.
É tentar me vestir bem, e saber que você nem me verá.
É olhar cartas e cartas e saber que elas não trarão a vida.
É assistir os mesmos filmes, sem a graça de antes.
É ter um final de semana vazio, mesmo que não me falte companhia.
É recusar beijar outras bocas, mesmo sabendo que você pode beijar muitas.
É se iludir sonhando com o inexistente.
É lembrar com amor dum passado que não volta.
É andar sozinha, mesmo com milhares de pessoas em volta.
É o querer-não querer bem querer de te querer.
É contar a semana pra si mesmo num monólogo interno
É rir de si mesmo com as coisas engraçadas.
É lembrar com saudade das coisas boas.
É sentir desejo novo em cada sonho vazio.
É preservar uma lucidez prudente que não existe.
É querer você de novo.
É querer ficar assim mesmo como estou.

É como eu diria:
Procurar roseiras no deserto.
[Apesar de saber que um deserto em Israel as cultiva. Então, a esperança realmente não morre.]

sábado, abril 28, 2007


Toda tristeza é justificável.. Com meios evasivos de fuga, a bebida, o cigarro, as compras, o beijo. Ela consegue mascarar metade das nossas boas intenções cobertas de um véu de incertezas e pisos falsos. Labirinto onde o final não se conhece, a tristeza é o campo minado da dor e das falsas intenções. É a bomba que implode sem que aparentemente se sintam as consequências, sem que sejam visíveis as mágoas escondidas com tanto zelo no peito.


E a catarse dessas sensações pavorosas, pode ser das mais trágicas. Não somos e nem nascemos prontos para suportar tanta loucura, tanta pressão. Não nascemos para sofrer e nem muito menos, para que nos façam sofrer. Não, nós não nascemos para serem atuantes no palco da desgraça. E nem atores da peça da ilusão.
Nascemos para quando mortos, alguém sorria para que nos levantemos. Nascemos para renascer depois que a morte de algo possa ser apenas mais um processo de todo ressurgir, acompanhado de mudanças profundas, dolorosas.
Não nascemos para choramingar a vida. Não nascemos para assistir. Não fomos pois, obrigados a nascer, mas somos obrigados a existir.

E se dúvidas ainda permanecem é simplesmente a falta de respostas, que em cem por cento dos casos, são tardias e ineficientes. A dúvida é traiçoeira para os ansiosos desejosos do agora e do já. É traidora a bela dúvida que busca as respostas tardias para a nossa existência, muitas vezes, nada pacífica. Ou melhor... Em todas as vezes. Mas a paz interior é como a lótus no terreno duvidoso e lamacento da vida.
E sim, eu acredito em mudanças e na verdadeira paz da busca de todos os khow-hows para que finalmente e definitivamente, possamos ser eternos guerreiros da nossa auto-paz, que eu garanto... Há de transformar o mundo.


A maior revolução, começa dentro de você.

sábado, março 31, 2007

Ema Bovary

Mariana estava ficando maluca.
Precisava de um analista, um terapeuta... Algo assim.
Ligou para todos da cidade, escolheu o que se dizia "o melhor da região" e resolveu marcar uma consulta...
-Olá Mariana, sou o doutor Roberto. Pode deitar ali para ficar mais à vontade.
-Prazer seu doutor. O negócio vai ser rápido! E obrigada. Vou ficar à vontade sim.
-Diga-me Mariana, o que te atormenta?
-Ah doutor... Relacionamentos sabe?
-Ah, sim. Sei! 90% das pessoas que me procuram, tratam disso.
-Tá bem doutor. E sabe, tenho muita dificuldade pra desabafar. O senhor me permite que eu vá ao banheiro?
-Claro Mariana!
Mariana volta do banheiro aos prantos.
-Agora eu posso falar doutor. Sabe, eu já namoro tem um tempo. E o começo foi lindo doutor! Nossa. Chuva de elogios, presentes, gentilezas, carinhos, desejos, amassos, beijos ardentes. Ah doutor, o senhor bem sabe como é no começo. Aí tudo bem... Passa aquele tempo gostoso da vida. E vem uma rotina chata... ô trem ruim! Aí começam as briguinhas, aí depois delas, parece que tudo volta pra uma normalidade até legal... Mas de boa, normal. Mas sabe doutor? O ruim é quando você se sente traída. Quando você se sente parte da rotina que aprisiona o ser que você ama. Começa a se achar inferior, pára de receber elogios, pára de transar, pára de tudo! Poxa doutor, é tão ruim! Parece que o seu companheiro não te deseja mais como mulher.
E aí você até que comprova o que a sua intuição pressentia:
O sujeito estava mesmo te traindo! Ah nossa.... E a auto-estima doutor? Pra que buraco que vai? [perdoa o palavrão doutor] mas eu acho que vai pra puta que pariu. Porra doutor... Se quer trair, não diz que ama oras! Precisa nem terminar, basta não dizer que ama. Ah, mas depois do "Eu te amo", ah doutor, arque com as conseqüências. Ah doutor, o "eu te amo" pede tudo! Pede o sexo, pede a dor compartilhada. Pede tudo! E a rotina, vem por consequência, mas se tem amor... O que é uma rotina?
Queria ser eu uma amante. Ah mas quem me dera por um dia ser uma amante. Nossa! Eu seria momentaneamente feliz e me sentiria realizada.
Ah, mas eu ganharia perfumes dos mais caros! [Não, aqueles baratos que namoradas ganham]. Ah, mas eu seria terreno pra selvagerias fugazes e loucas. [Não seria respeitada como namorada não!] Ah seria pois uma puta mesmo!
Ah doutor... Onde uma pessoa normal deseja o prazer efêmero pelo respeito eterno? Ah doutor... Me dê gotas do prazer efêmero e me faça repudiar o amor eterno.
Eu não quero ficar em casa não! Quero sair, ir à bailes, ser reconhecida... Ter muitos homens aos pés. Que eles me elogiem e que eu os pise sem o menor pudor. E que na hora de me deitar, que possa ser com alguém que realmente me valorize. Que não me respeite no sentido casto em si, mas que me valorize e que me veja como a mulher que eu sou. Ah doutor... Que quando ao me deitar eu possa ser vista como uma santa. Mas uma santa a qual deseja desmistificar! E que após a desmistificação, que ela fique tão pura quanto o seu começo virgem e inocente.

Ah se como puta-esposa eu seria feliz doutor. Quero ser anjo, quero ser fera! Quero respeito, mas quero fogo! Ah doutor... Quero tudo, quero todos. Conhecer as orgias humanas como saciedade dos meus desejos profanos. Ah doutor, quero ser casta como vim ao mundo. Ah doutor... Quero!
Me senti como Ema Bovary, tava cansada de tanto formalismo e gentileza. Queria apanhar na cara mesmo! Mas queria também, abraço terno quando eu me sentisse fraca ou vazia. Ah doutor... Eu me acho demais pra ele. Eu sou realmente foda doutor!

Obrigada por me ajudar a descobrir isso!
-Nossa Mariana, tem mais algo a acrescentar?
-Não doutor! Tome aqui o seu dinheiro! Não precisarei de terapia nunca mais!

terça-feira, janeiro 23, 2007

.mulher de cafageste [final]

Acorda, desconfiada achando que tudo daqui para frente, iria mudar... Mal sabia ela que realmente tudo irá mudar.

[1 mês depois]

A menstruação de Marina atrasa ela desesperada, vai ao hospital fazer o teste de gravidez.
Resultado: Positivo

Senta sua família na sala e se abre. Pois sua família apesar de muito tradicional, sempre era muito aberta ao diálogo e ao acerto de contas.
Depois de uma longa conversa, lágrimas, decepções e planos frustrados, a família apóia Marina. Porém, seu pai já bem velho, ordena que Marina se case com Jorge.

Marina liga para Jorge e conta a notícia. Ele, desesperado vai a té a casa de Marina e conversa com seus pais.
Porém, o pai de Marina não quer voltar atrás da decisão e Jorge se vê na obrigação de casar.

Mal sabia Marina, que Jorge tinha outra mulher, grávida e muito ciumenta.
Problemas a parte, Jorge se casa com Marina e consolida uma união sem amor e com muita responsabilidade.
No dia da cerimônia, Marina chora por não estar se casando com quem ama e conta para sua mãe como ela se sente, sua mãe responde:
-Marina, com o tempo o amor surge.

Com um mês de casados, a bomba aparece!
A outra mulher de Jorge aparece exigindo seus direitos de mãe da criança. Marina desconhecendo a situação, conversa com Jorge à respeito, que confessa à ela a verdade.

Marina entra em depressão e pensa em desistir da vida. Ouve vozes induzindo-a à renúncia do mundo. E mesmo com uma criança no ventre e um curso de medicina trancado, ela se entrega pois não se conformou com o rumo trágico de uma vida quase perfeita. Uma vida onde quase não teve erros, onde Marina foi estrela e querida por todos, com sucesso e principalmente com a maior parte da realização dos seus sonhos.

A menina, virou estrela.
A mulher, virou cometa
Jorge, se casou com a outra e vive com o peso de ter arruinado uma vida quase perfeita.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

mulher de cafageste [parte IV]

-Não conheço Mari? - E voluptuosamente, dá um puxão de cabelo na Marina,
-Pára! Agora!
-Você só se faz de quem agüenta Marina. -Sorrindo com deboche
-Jorge, me leve para casa!
-Agora não, estamos apenas começando...

Marina se sentia desconfortável com a presença de Jorge naquele momento. Parecia que ele lhe invadia algo muito íntimo. Muito mais do que uma integridade familiar ou religiosa, parecia que Jorge rompia com algo maior em seu ser.

Com um orgulho de imaginar que Jorge era um canalha e que ela não poderia ir além com ele.
Mas Marina, se surpreende e o surpreende, quando de surpresa ela beija Jorge com incontrolável vontade.
Vontade de sair dali, quem sabe para um outro lugar.
E Jorge, com sua experiência com mulheres, percebe isso e se mostra satisfeito com a atitude dela, sem deixar é claro, que ela perceba. Afinal, Jorge tem que ser um cavalheiro!

-Marina, não resista ao seu corpo.
-Eu não resisto Jorge, mas a minha mente resiste.
-Marina, olhe para mim - Beijando-a de leve nos lábios. Acha que eu faria algo de mal com você?
-Não!
-Então?!

Marina lança um olhar devasso, e tira a blusa.
-É isso que você quer?
Jorge veste-a e diz:
-Não apenas isso.
-Porque me vestiu?
-Por que eu é quem tenho que tirar tua roupa.

Com delicadeza, Jorge despe Marina e com suavidade, ela se entrega aos poucos.
Sussurra no ouvido de Jorge:
-Era isso o que você queria? A minha pureza?
-Não apenas isso. -Ele repete, enfático.

Depois da noite longa que tiveram, Marina foi deixada em casa.
E seus pais preocupados, queriam saber onde ela esteve...
-Dormi na casa de uma amiga mãe! Nada demais. Vou tomar café e deitar, estou com dores de cabeça.

E Marina deita com uma tonelada na consciência, questionando o porquê da sua atitude..
Dorme, com dor. Na alma...

[...] Continua

sábado, janeiro 13, 2007

.mulher de cafajeste [parte III]

E o celular de Jorge toca:
-Só um segundo Mari, vou atender.
Ele diz:
-Alô? - E Mari escuta, uma mulher falando de longe, mas não deu para entender o que era.
-Depois tratamos disso. Tchau! E Jorge desliga o telefone, preocupado.
Olha para Mari e diz:
-E aí? Vamos continuar o que começamos?

Marina olha bem no fundo dos olhos dele, sai do carro com elegância e bate a porta.
Ele corre atrás dela...
-Marina, volta!
Ela volta e diz:
-Desculpe Jorge, eu não consigo ser qualquer uma.
Ele rebate:
-Você por acaso sabe quem estava ao telefone? Era minha irmã, querendo que eu pagasse o que eu devo à ela.
-Não Jorge, tô confusa. Vou pra casa.
-Eu te levo. Pode ser?
-Pode. Tá tarde e não tem ônibus essa hora, mas só por isso.
-Ok, prometo não me aproveitar disso.

Marina chega em casa, confusa... Mas deixa a confusão de lado, quando finalmente liga para uma amiga, que sempre a aconselha.

-Alô, a Ana Por favor.
-Sou eu Mari, diga!
-Tô com problemas com aquele carinha do bar... O Jorge. Quando quse estávamos nos beijando, o celular dele toca, e ele atende mas ficou super nervoso. Estranho isso né amiga?
-Marina, não é nada demais oras.. Pode ter acontecido algo!
-É, pode ser. Mas eu costumo não confiar em ninguém, você sabe.
-Mari, relaxa e curta o momento amiga. Quem sabe vocês não namoram?
-Ah, não sei Ana. Vou desligar querida, obrigada pela dica! Vou tomar banho. Beijo
-Beijo.

O celular de Mari toca. Era Jorge convidando-a para sair para esclarecer o mal-entendido.
Ela aceitou e marcou o encontro para o dia seguinte. Aquela coisa não saía de sua cabeça.

Enfim o dia chega. Jorge passa para pegá-la e leva flores, pois ele ficou extremamente instigado com o jeito durão de Marina, bem diferente das outras mulheres que ele havia conquistado.
-Marina, trouxe esse presentinho para ti!
-Obrigada Jorge!
-Desculpe o mal-entendido de ontem querida, eu fiquei preocupado com o que você deve ter pensado.
-Não pensei nada oras - Desviando do olhar dele.
-Olhe para mim Marina, estou aprendendo a decodificar seus gestos e olhares.
Ela olhou, com firmeza e de um jeito assustador.
-Marina, você me passa tanta confiança com esse seu olhar. Nem parece uma moça, parece mulher!
-E quem disse que eu não sou mulher?
-A sua inexperiência sexual é visível Mari.
-E por isso te instigo né?
-Claro! Admiro a tua pureza misteriosa.
-Excelente Jorge. Agora escuta só, eu sei muito bem proporcionar prazer a um homem!
-Eu sei, não duvide disso
E Marina agarra Jorge e dá um beijo demorado em sua boca.
-Nossa, seu beijo é de mulher, seu toque ainda de moça.
-Não me desafie Jorge, você não me conhece.

[...] Continua

terça-feira, janeiro 09, 2007

.mulher de cafajeste [parte II]

Jorge, olhando com volúpia para Marina deixa clara a sua intenção com a moça.
Ela, esquivando de seus olhares, ria muito tomando seu chopp ao som da banda. E ainda brincava com os rapazes da outra mesa, sem deixar de dar a devida atenção ao Jorge, que estava louco para levar Marina para outro lugar.
Enfim, chega a hora de ir embora. Como Marina estava dirigindo, teve que deixar Jorge para levar suas amigas em casa.

-Bem Jorge, hora de ir. Foi um prazer conhecer você - Disse Marina, abraçando-o
-O prazer foi meu Marina. -Disse Jorge, colocando um bilhete no bolso da jaqueta de Marina.

Depois de deixar suas amigas em casa, ela tira a roupa, veste uma camisolinha fresca para dormir e deita em sua cama. Deixando a jaqueta ao lado, sem perceber que nela havia um bilhete.
Mari amanhece feliz, caloura da medicina sai para fazer sua matrícula na universidade. Toma seu café, se despede dos seus pais e pega a jaqueta para se aquecer, afinal o começo da manhã em sua cidade, era bastante frio.
Quando pega sua jaqueta ao lado da cama, um bilhetinho cai.

-Marina, me ligue. Preciso falar com você! - E o número anexado no tal bilhete.

Mari sai para fazer sua matrícula, e após fazê-la, liga para Jorge.
-Alô, Jorge?
-Oi! Quem é?
-É a Mari! Tudo bem?
-Ahh sim! Tudo Mari, esperei que você me ligasse. Quer sair comigo hoje a noite?
-Não posso Jorge. Prometi à Bianca que a ajudaria com os trabalhos.
-Nossa, que moça dedicada! Me admira isso, a sua simplicidade Mari.
-Obrigada, mas a simplicidade não é um dom para ser admirado. Brota de dentro do coração.
-Ahh sim, mesmo assim, me admiro de você! Enfim, e amanhã? Pode? -Disse Jorge, ansioso.
-Amanhã eu posso sim. Nos vemos na praça Castelo Branco, ok?
-Ok, e de lá, vamos a um restaurante que eu conheço tá?
-Tá! Beijos, tchau
-Beijo Mari.

E finalmente, o dia do encontro chegou. E tudo se sucedeu como planejado.
O restaurante era lindo e Jorge pôde enfim, jogar seu charme para Mari, que ficou encantada com o jeito de Jorge.
Hora de ir embora, Jorge oferece carona a Mari, porque ela veio sem carro. A Praça castelo Branco ficava do lado de sua casa.
Eles entraram no carro e a escuridão daquela avenida, pedia muito mais do que uma simples conversa.
Jorge se aproxima de Mari, que não recua do charme do rapaz.
E quando as bocas estavam quase encostando...

[continua]

segunda-feira, janeiro 08, 2007

.mulher de cafajeste [parte I]

Marina, uma espécie de deusa da sociedade. Tinha acabado o seu colegial e estava prestes a se arriscar no vestibular.
Sempre obediente aos pais, tinha uma vida invejável! Era muito feliz e possuía tudo o que alguém poderia desejar, inclusive a maioria dos homens aos seus pés. Era desejada, pois tinha um rosto misterioso e um corpo que induzia o pecado. Alta, de postura elegante e um jeito sedutor, nem parecia a moça virgem criada para os estudos e posteriormente, para um casamento.
Admirada por todos que a conheciam, porque além de tudo isso era uma moça simpática e sorridente, ela seguia fiel e dedicada a sua maior paixão, que era a sua aptidão para a medicina.

Seus pais, se alegraram mais uma vez, quando Marina lhes contou que havia passado em medicina no vestibular. Uma festa só! Toda a família reunida para compartilhar aquele momento, que parecia ser o começo do sonho de Marina.
Presenteada com um carro novinho, se pôs a passear pela cidade para comemorar.
Chamou umas amigas de infância e saiu por aí, em busca de diversão, afinal a pudica Marina, tinha seu lado devasso, escondido, porém aflorado naquele momento, que pedia pouca cautela, afinal, era festa!

Quando chegaram ao lugar de destino, um barzinho com música ao vivo, porque Marina odiava boates, se assentaram e destilaram com elegância um vinho português em uma mesa calma, enquanto ouviam a banda tocar um pouco de "Roupa Nova" e no verso, "Do you wanna dance" Marina deu um grito de alegria, afinal ela adorava aquela música que lembrava a sua tenra infância.
Seu grito alegre, chamou atenção de muitos naquele lugar, inclusive de um moço, que se apresentava como Jorge...

-Muito prazer, me chamo Jorge. Você e as suas amigas aceitariam a minha companhia?
Marina, olhando para suas amigas com um sinal positivo, pergunta:
-O que acham meninas?
-Opa, tudo bem, sente-se conosco!
E Jorge, meio constrangido no meio de tantas mulheres, se sentou. Porém, apenas uma delas o interessava...

[continua]